Felicidade, cadê você?

Procuramos por ela sempre e de repente olha logo ali, bem pertinho, á nossa espera!
Quando perguntamos a alguém "você é feliz?", dificilmente a resposta é simplesmente "sou". Então chegamos a conclusão de que quando lembramos de felicidade, pensamos normalmente em algo extraordinário, algo supremo, num momento alto de verdadeiro prazer.
Mas momentos assim parecem tornar-se cada vez mais raros enquanto as pessoas envelhecem. Na idade adulta, as coisas que nos trazem um prazer profundo como um nascimento, o amor ou casamento, também nos trazem responsabilidades e riscos de perda. O amor pode não durar, o relacionamento tem que ser construído dia a dia e as pessoas de que gostamos não duram para sempre. Para os adultos a felicidade é algo complicado.
Preferem achar defeitos, reclamar de tudo, preferem transferir "o ser feliz", em algo palpável, como possuir uma casa, um carro, ou castelo cercado de mordomias, ou morar em outro país, ser rico, ser bonito. Só que esse castelo pode ser no Iraque...
Reclamar é quase um hábito, sempre se arruma algo. Mas só reclamar não ajuda a mudar. Se não está satisfeito com algo, arregace as mangas e mãos a obra. Encare o obstáculo como um desafio.
Ë isso que deixa infeliz, é o ficar com medo de errar, e não tentar fazer, deixar as coisas acontecerem, o que acontecer está bom. A simples atitude de se buscar algo que se deseja, de você promover a mudança que acha necessária em sua vida, isso traz um bem estar sem igual, uma sensação de tarefa cumprida. "A felicidade não é um local para se chegar, e sim uma viagem a ser percorrida".
Se condicionarmos a nossa felicidade comparando-nos a alguém, vai ficar difícil ser feliz, vai ter sempre um alguém "diferente" de você em alguma coisa, e essa diferença nem sempre significa "a suprema felicidade". Ter uma Ferrari, uma ilha, ser famoso, ser inteligente, magro, simpático, o que é necessário para carimbar o passaporte para a felicidade.
O dicionário define feliz como "afortunado", "venturoso", mas um conceito de felicidade mais apropriado seria "capacidade de sentir prazer". Quanto mais aquilo que temos nos der prazer, mais felizes nos sentiremos. É fácil nos esquecermos do prazer que sentimos quando temos a companhia dos amigos, a liberdade de podermos viver onde desejamos, ou estejamos bem de saúde ou trabalhando naquilo que escolhemos. Se prestarmos atenção ao nosso dia a dia, podemos perceber pequenos momentos de felicidade. Ás vezes as pessoas têm dificuldades em perceber estes momentos de tão fechadas em si mesmas ou ligadas nos problemas cotidianos.
O que é bom à gente não reclama, acha bom, mais esquece que conquistou aquilo, só lembra dos incômodos. Esquecemos que temos um excelente país como o Brasil para se viver, ou a família que possuímos, alguém que gostamos, ou o calor da cama em noite fria, um chocolate, um café fresquinho, o cheiro da chuva, o arco-íris, o esfuziante cantar dos pássaros, o mar, o reencontro do amigo, o gargalhar da criança, o abraço sincero e um amor de verdade.
É fácil nos esquecermos do prazer que sentimos, porque o prazer é bom e o que é bom não nos incomoda.
Hoje temos tantas escolhas em tantas as áreas, que transformamos a felicidade em mais uma coisa que "temos que ter". É tamanha a nossa consciência sobre o "direito" que temos sobre ela que acabamos por ficar tristes. Por isso a perseguimos e comparamos á riqueza ao sucesso, sem nos darmos conta de que as pessoas que possuem estas duas coisas não são necessariamente felizes.
Precisamos aprender a ser feliz com o que temos, o que somos, onde estamos e vivemos, trabalhamos ou as pessoas que convivemos.
Embora a felicidade possa ser algo de mais complexo para nós, a solução é a mesma de sempre. A felicidade não reside naquilo que nos acontece, mas sim na forma com que lidamos com o que nos acontece.
Sempre há algo de positivo em tudo o que nos acontece, uma lição nova a aprender. Aprendamos a analisar o que nos acontece sem lástimas, e sim com a intenção de aprender a viver melhor o tempo presente.
Felicidade, não é desejar o que não temos, mas sim apreciar o que possuímos. É estar de bem com a vida, desfrutar o momento presente, pois só ele é a nossa certeza, só ele é que existe. O passado não retorna e o futuro ainda não chegou!
Saborear a cada instante melhora a angustia do passado e a ansiedade do futuro. É saber que: A maior felicidade é estar vivo, as conquistas dependem de nós e de nossos esforços.
Viva o momento, aproveite que está vivo e seja feliz!
André Carvalho e Roseli S. Carvalho