O dedo podre da Cris

A Cris tinha a força da esperança, já tinha se formado e exercia a profissão que sempre sonhara, tinha comprado seu apartamento, decorado com as cores e mobília da moda, sentia que já estava realizada profissionalmente, mas para namorar era um caos, só homens que nada queriam de verdade, cafajestes e canalhas aproveitadores, até este dia não tinha encontrado alguém que valesse a pena, alguém especial. Como disse a prima ela parecia ter o famoso “dedo podre”.
Uma prima e uma tia descobriram a Agência Par – namoro e matrimônio no Google, imediatamente navegaram nas informações e resolveram dar uma forcinha para esta parente querida chamada Cris.
Quem primeiro ligou para a agência foi a prima, queria saber qual o método, se era seguro, se tinha bastante gente, se era uma agencia real mesmo, após quase uma hora de bate papo no telefone desligou dizendo que a Cris entraria em contato e com certeza faria o cadastro.
Duas semanas depois ela já estava convencida pela família que seria desta forma que teria a chance de encontrar o par para dividir a vida.
Assim foi, ela fez a inscrição e enviou as fotos assim pudemos ver a leveza de seu rosto, enfeitado com olhos verdes cor de esmeraldas. Um sorriso tímido, contrastava com o colorido da roupa.
O tempo passou depressa, depois deste dia.
Quando ele se inscreveu na Agência Par ela já o aguardava há um bom tempo, foi incrível a quantidade de afinidades entre os dois. Ele com olhos pretos da cor de uma noite sem lua, gentil, atencioso, que sabe o que quer e luta pelo objetivo. Um sorriso de orelha a orelha. Honesto e trabalhador com a intenção de formar uma família.
No primeiro encontro ela escolheu o restaurante e eles se conheceram neste jantar, conversaram bastante, riram muito e ficaram de combinar novo encontro.
Ela resolveu esperar pela ligação dele.
Ele resolveu esperar pela ligação dela.
Nenhum dos dois ligaram.
Uns quinze dias depois ela entrou em contato com a agencia dizendo que acreditava que ele não tinha gostado dela pois não entrou mais em contato. Na hora bateu até uma tristeza pois eles tinham tantas afinidades, objetivos de vida muito parecidos... Ligamos para ele para saber o que tinha acontecido.
Ele nos disse que gostou muito dela, mas que ele não ligou mais... que a achou agradável, mas que ela não tinha ligado pra ele e ele havia concluído que ela não tinha gostado dele.
Ligamos para ela contando que ele estava esperando por ela... Nem precisamos dizer que depois do esclarecimento e compreensão que ambos esperavam pela mesma atitude do outro se falaram naquela mesma noite.
Se encontraram de novo, de novo e em todas as luas daquele ano, até que casaram e hoje são felizes e unidos. Que dedo podre que nada, era só a oportunidade de encontrar a pessoa certa que estava faltando.